Tem uma interessante matéria na seção de Educação da Revista Veja da semana do dia 08/08 que pode ser vista aqui, na Veja Online. Trata-se da matéria Desconectados com o subtítulo "Sem supervisão, computadores nas escolas brasileiras mais distraem do que ensinam."
Eu não sou um profissional da área da educação mas minha posição, de administrador de rede de uma instituição de ensino, me possibilita comentar sobre o comportamento online de alunos do ensino fundamental, médio e superior já que a maior parte dos meus usuários se encaixam nestas categorias.
Na minha opinião, se o futuro do Brasil depende dos alunos do ensino fundamental, médio e superior que fiscalizo, estamos perdidos.
Vou citar uma frase da reportagem da Veja que me levou:(...)
Eu dei uma bela gargalhada já que estes são exatamente dois dos principais, além das tentativas constantes de acesso a pornografia.
Analisa a especialista Fabiana de Felício, autora do estudo: "Sem a supervisão dos professores, as crianças perdem tempo em frente ao computador com atividades sem nenhuma relevância para o ensino". Leia-se: jogos e bate-papos virtuais.
(...)
Vejo[1] usuários do ensino fundamental acessarem sites de jogos infantis e juvenis e Orkut. É claro que estes acessos não são permitidos mas ao se depararem com a mensagem clara de acesso negado, eles tentam novamente. As vezes parece que a criança acha que é o direito deles, garantidos no Estatuto da Criança e Adolecente, de acessar o Orkut!
O povo do ensino médio ataca, quase literalmente, sites de jogos, especialmente o gênero slime de joguinhos fréxi, pornografia, jogos e músicas não-licenciadas (vulgo piratas) e, é claro, o site que Nossa Senhora de Aparecida concedeu aos seres humanos do genus brasileiro para uso, mesmo diante de adversidades (como estudar e ser alguém na vida), o Orkut. Ah, existem pessoas que pesquisam coisas relacionadas a escola, como a história do Brasil, mas geralmente é para disfarçar as tentativas repetidas para acessar algum outro site. Um dia destes eu contarei uma destas histórias...
Quanto ao ensino superior... A nata da população com acesso ao ensino superior que pagam mensalidades altas para um ensino de qualidade... Estes estão mais interessados em utilizar os laboratórios, todos com acesso a internet e bancos de dados de pesquisas de ponta de universidades brasileiras e americanas, para... adivinhem? Não, erraram... Não é para pesquisa, extensão e busca de oportunidades... Pornografia heterosexual, pornografia homosexual, musicas e programas não-licenciados e o nosso amado e querido Iogurte.
Ao contrário da reportagem da Veja, os educadores, de onde trabalho, que levam os alunos para a salas de informática são instruídos e capacitados. Isto é, suponho que são capacitados já que a maioria deles são capazes de me explicar os problemas nas salas com mais detalhes do que o "tá com pau" usados por usuários retardados. Eu tenho razoável certeza que os professores não estão levando os alunos para os computadores só para se livrarem deles para uma pesquisa dirigida (vulgarmente conhecido como "não preparei a aula"). Sei disto por que nas salas onde há máquinas sendo utilizadas por.. ahem... punheteiros, há pelo menos um CDF fazendo aquilo que o professor pediu.
Já acompanhei alunos, que pagam (ou cujos pais pagam) uma mensalidade, passarem o dia inteiro sentado no mesmo computador tentando acessar pornografia, jogos, IMs e o centro de brasileirices online, Orkut. Meu colega diz, e concordo, que "nós somos o provedor de internet mais caro da cidade".Sei que a minha amostra do mundo é irrelevante, afinal de contas é uma única instituição de ensino mas eu escrevo com toda a convicção que o futuro do Brasil não está em boas mãos. Se a minha geração, filhos da repressão política e social, elegeu um cacho de nove bananas como presidente imagine o que vem por aí, que tal um pagador de promessas chic?
[1] Uso a palavra "vejo" mas não as vejo os usuários com meus olhos, só posso acompanhar os acessos feitos pelas máquinas destinas a uso de alunos.
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
A Educação dos Jovens Brasileiros brasileiros
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