segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Clube da Luta

Depois de um pequeno recesso enquanto eu assistia o anime Love Hina (^_^, Otaku pra cacete, mas fazer o que?), estou de volta! Vou falar de Love Hina outra hora, mas hoje quero falar sobre a minha experiência surreal, parecido com a do filme Clube da Luta...


Sábado, dia 20 de Outubro, amanheceu como qualquer outro mas eu estava furioso... Eu estava frustrado e cheio de amargura por motivos que me escapavam mas eu estava decidido a levar o dia como se fosse um dia qualquer.

The first rule of Fight Club is - you do not talk about Fight Club.

Ficou decidido que iamos para o Xópi pegar minha calça que eu havia deixado para concertar e depois íamos fazer as compras da semana e saímos de casa no fim da tarde. Entrei no meu carrinho 'matchbox' e virei a esquina onde fiquei parado atrás de um carro que estava esperando outro carro dar . Esperei e vi que o carro da minha frente engatou a ré e começou a se aproximar do meu carro... e não parou até bater e levar meu carro para trás. Na minha cabeça eu sorri e um plano se consolidou...

Sorri, puxei o freio de mão, abri a porta, tentei sair, tirei o cinto, saí do carro, fechei a porta e fui para a janela aberta do carro "agressor".

The second rule of Fight Club is - you DO NOT talk about Fight Club.

"Ei, cara, você não viu que deu ré até bater no meu carro." - Disse o cara com um plano na cabeça.

"Vá se fodê, o filho da puta da frente não sabe o que tá fazendo." - Disse o tio.

"Ele tá dando ré pro cara sair da vaga, o que é que você tá fazendo seu idiota?"

"Você também vai se foder, babaca."

Meu plano tinha dado certo - o momento era de agir...

Ah, o meu plano... Era um plano simples e eu sabia que poderia haver conseqüências sérias mas resolvi arriscar - por motivos que entrarei em detalhes abaixo. Meu plano era provocar uma briga no trânsito para bater e apanhar.

Dei um tapão na careca do tio e ele desceu do carro com sangue nos seus olhos e eu estava pronto pra desmontar ele...

Infelizmente o que seguiu foi mais digno de uma briga de maricas já que ele jogava os braços para qualquer lado tentando me acertar. Eu sinceramente tentei lhe dar uns golpes diretos mas desisti rapidamente e entrei na defensiva e agarrei os ante-braços dele - mas não antes dele acertar o lado do meu rosto e dar uma braçada no meu dedão. Assim que imobilizei os braços dele, olhei nos olhos dele e falei...

"Onde é que você aprendeu a bater assim? Você bate que nem mulher."

Ele lutou para se soltar mas não deixei ele escapar e eu disse, instantes antes da Turma do Deixa Disso chegar, "Acabou, acabou".

Third rule of Fight Club, someone yells Stop!, goes limp, taps out, the fight is over.

De fato tinha acabado já que três ou mais pessoas entraram no meio da gente e voltei para o meu carro com um dos membros da Turma do Deixa Disso me lembrando que meu nêmesis era mais velho. Sentei, sorrí, coloquei o cinto - afinal de contas, segurança em primeiro lugar, soltei o freio de mão, engatei a primeira e fiz o caminho conhecido até o Xópi em um estado de graça que só entendi dias depois.

Confesso que somente quando estacionei que senti respingos de remorso e culpa mas já era tarde demais para desfazer o que eu havia feito. Além do mais, eu não ia deixar que minha euforia e meu momento Tyler Durden evaporasse sob a pressão de convenções que tiram a agressividade dos homens.

Fiz o caminho até a loja, peguei minhas calças e voltei para o meu carro em um estado de graça como se eu estivesse numa cena do filme. Naquele instante, eu sabia que eu havia conseguido muito mais do que eu inicialmente queria com provocar uma briga.

Quanto ao meu motivo por ter provocado a briga, eu queria desafiar a vida e olhar o perigo no olho e não ter medo - o velho clichê diz que só se vive ao se arriscar e foi exatamente isto que eu queria fazer. Eu sabia, ao descer do carro, que o desfecho poderia ser trágico para mim (eu desci desarmado, o meu nêmesis poderia estar armado) mas mesmo assim fui em frente por que, naquele instante, eu precisava me sentir vivo.

Com a conclusão, sem perda de vida nem ossos quebrados, só uns bons tapas que levei, eu havia sido batizado por fogo - eu havia tido uma revelação. Eu havia corrido um risco grande com a possibilidade de uma recompensa a altura mas ao invés disso, eu havia ganho muito, muito mais - não só agredi e fui agredido mas, como eu agi sobre uma oportunidade, descobri meus limites e, com isto, redescobri minha humildade e paciência.

Não pretendo mais provocar uma briga de novo já que a minha experiência próximo da vida, estando inteiramente presente durante a onda de tapas, deixou uma marca profunda no meu ser. Não preciso provocar novas situações já que o que eu tive foi intenso e profundo na dose perfeita.

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