terça-feira, 9 de outubro de 2007

Sobre Deus

Por algum motivo achei interessante escrever sobre o que acho sobre religião...

Eu acredito que Deus, ou qualquer outra manifestação divina é uma experiência pessoal íntima.

Antes de explicar isso, é preciso falar sobre o passado.

Eu acredito que o mundo é Teísta - a humanidade sempre atribuiu a espíritos ou seres o poder para explicar as coisas ao redor delas e, desta forma, a existência de uma ou mais entidades que governam o mundo natural, é natural para a humanidade. Pode-se ver claramente que as figuras divinas existem em todos os povos do mundo em todos os tempos - desde os cultos animistas dos homens tribais nos tempos antigos até as religiões relativamente recentes como o Islamismo.

A explicação de que Alguém é responsável por mim traz conforto e consolo para a alma - necessidades para conviver no mundo hostil pré-tecnológico e hoje quando vemos tantos absurdos ao nosso redor.

As religiões, conjuntos de mistérios e rituais que cercam cada um destes seres divinos, servem como guia para melhor se aproximar ao ser divino cultuado. Esta aproximação ao sobrehumano e compartilhamento de fé nos aproxima como pessoas - dá um ponto em comum para os fiéis se unirem e relacionarem. A visão de conforto e consolo se amplia para um senso de comunidade e compartilhamento, também necessários para sobreviver no mundo hostil.

Resumidamente, os deuses e suas religiões trazem conforto e consolo para o individuo e um senso de comunidade para os seus coletivos.

Isto funcionava perfeitamente antes de 16 de Julho de 1945 e 6 de Agosto de 1945 com a vinda da Trindade (16/07) e Little Boy (06/08) e o nascimento da Era da Tecnologia.

Em Julho de 1945 Robert Oppenheimer, ao testemunhar a detonação do Trinity e vendo o poder que ele e sua equipe havia dado para o homem, resumiu, com as palavras do Bhagavad Gita, o que ele conferiu ao homem.
Now I am become Death, the destroyer of worlds.
- Oppenheimer, 16 de Julho de 1945

[Agora, tornei-me a morte, o destruidor dos mundos.]
Somente a partir de Março de 1953 que o resto do mundo começou a entender estas palavras. Os dois países mais poderosos do mundo iniciaram uma grande corrida armamentista e, cada um tinha a real possibilidade de, por suas próprias mãos, aniquilarem a vida na Terra. Neste momento, nos momentos iniciais da Guerra Fria o homem se viu capaz, com ferramentas que ele mesmo havia criado em cima de conhecimento que ele mesmo havia desenvolvido - como se tivesse poder divino - de destruir tudo que todas as religiões do mundo ensinavam que seres divinos criaram.

A partir de então, este conhecimento, da capacidade humana de destruir o divino, entrou para o conhecimento popular e influenciou as gerações futuras e iniciou uma nova fase de questionamentos sobre o divino.

Nos dias atuais, do ponto de vista social, a religião perdeu o seu espaço de criador de comunidades e mediador para a comunicação instantânea que é a Internet e os meios de comunicação em massa como a televisão. Para deter esta perda de fiéis, as religiões estão se tornando empresas e corporações visando dinheiro (para se sustentarem e pagarem suas contas) mesmo que isso os obrigue a "liberdades" na interpretação do dogma.

O homem, porém, continua sendo o homem e este, como sempre, precisa de conforto e consolo - havendo questionamentos sobre o divino ou não, o homem espiritual continua o mesmo desde o primórdio dos tempos.

Aí chegamos a o que acho sobre Deus.
Eu acredito que Deus, ou qualquer outra manifestação divina é uma experiência pessoal íntima.
- Eu, lá em cima deste blog.
Hoje, o homem se tornou capaz de encontrar explicações para os eventos naturais do mundo. Ele se tornou capaz de rejeitar explicações sobrenaturais, metafísicas ou esotéricas para todos os eventos. Ele se tornou capaz de viver sem explicações divinas sobre o mundo e universo que habitamos. Com isso, a necessidade racional de religião desaparece.

Sobra assim a necessidade espiritual.

As pessoas, segundo Marx, precisam de religião como fator moderador, "o grito da criatura oprimida, o coração do mundo sem coração e a alma de condições sem alma." Ele acreditava que a religião é necessário para apaziguar esta necessidade espiritual - de consolo e conforto - que o homem é incapaz de criar para ele mesmo.

Desta forma, Deus é necessário como consolo para a população - desprezando qualquer alusão a "mal necessário" - até que cada homem, seja capaz, por si só, de encontrar paz, consolo e conforto do seu próprio modo.

Assim, o divino se torna uma experiência individual, intransferível e íntima - entre Deus (a sua própria interpretação do que é este "Deus") e você.

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